segunda-feira, 2 de maio de 2011

ORAÇÃO SEM NOME


Escuta, Deus: jamais falei contigo, hoje quero saudar-te.
  Bom dia! Como vais?
Sabes? Disseram que tu não existes, e eu,
tolo, acreditei que era verdade. Nunca havia reparado a tua obra.
  Ontem à noite, da trincheira rasgada por granadas... vi teu céu
estrelado e compreendi então que me enganaram.
Não sei se apertaás a minha mão.
  Vou te explicar e hás de comprrender.
É engraçado: neste inferno hediondo achei a luz
para enxergar teu rosto.
  Dito isto, já não tenho muita coisa a te contar; 
só que.. que... tenho muito prazer em conhecer-te.
Faremos um ataque à meia noite.
 Não sinto medo, Deus, sei que tu velas...
Ah! É o clarim! Bom Deus, devo ir-me embora.
 Gostei de Ti, vou ter saudade...
Quero dizer será cruenta a luta, bem o sabes, e esta noite
pode ser que eu vá bater-te à porta.
Muitos amigos não fomos, é verdade.
 Mas... sim estou chorando!
Vês, Deus, penso que já não sou tão mau.
 Bem, Deus, tenho que ir. Sorte é coisa bem rara:
Juro, porém: já não receio a morte....


                       O autor do poema, quem sabe?
Foi encoantrado em pleno campo de batalha no bolso de um soldado
americano desconhecido. Do rapaz, estraçalhado por uma granada,
                      restava apenas intacta, esta folha de papel....

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